Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Das más experiências


Há uns tempos atrás eu aguardava ansiosamente a minha ida para a Universidade. Estava mortinha por sair desta cidadezinha tão pequenina, tão habitual, sem nada de novo para me dar. 
Aguardava com muitas expectativas. Cresci a ouvir as minhas tias falarem saudosas dos seus tempos universitários, como foram os melhores anos que tiveram, como fizeram amigas para a vida, como era fantástico viver longe dos pais, numa cidade estranha, cheia de pessoas novas e novas experiências. 
Custou-me muito o meu último ano no secundário, porque vi todos os meus amigos e namorado a irem para a universidade e eu a ficar retida aqui por mais um ano, por ter mudado de curso. Senti-me deixada para trás, excluída. E ouvir das novas experiências deles só me deixava mais abatida e ansiosa.
E eis que em Setembro chegou o momento. Este foi o meu primeiro ano. Eu estava contente, animada, era um novo começo. Não podia ter sido mais diferente do que eu imaginara. 
Não me adaptei, não me encaixei, não me identifiquei com ninguém. A coisa das praxes não funcionou para mim e as bebedeiras como forma de interacção pareceram-me uma coisa muito forçada, nada sincera, muito menos saudável. Bastou uma semana para perceber que já havia uma hierarquia social desenvolvida e grupos já enraizados. Alguém que estude esse fenómeno que eu, pelo menos, não percebo. Também não podia contar muito com os velhos amigos, andavam (e andam) lá ocupados com as vidas deles.
Tenho plena consciência que não dou a entender isso, mas sou uma pessoa bastante sociável, uma vez ganha a confiança, é difícil eu calar-me. E este ano de muitas noites enfiada em casa, no quarto, ao computador, a lamentar-me por não ter ninguém com quem sair, tomar um café, o chamado "hang out" fez-me perder o gosto pelas coisas. Os inúmeros dias que almocei e jantei sozinha, no silêncio, fizeram-me perder o apetite. Em vez de fazer alguma coisa útil abstraía-me em séries, filmes, blogs. Ou ia passear sozinha pela cidade, só para sair daquela casa que passei a odiar, o que sinceramente, me deixava pior. Uns tempos de merda, digo-vos já.
E agora? Estou zangada. Comigo, por me ter esquecido como é socializar. Com os outros, por não me acharem interessante o suficiente para me quererem conhecer. Com as minhas tias, pelas falsas expectativas que me criaram. E mais uma vez, comigo própria, por não saber dar a volta a isto.
Mas vá lá, este ano está para acabar. Para o ano há mais. 
Sa foda. Vem aí o Verão, há-de ser melhor.


Confesso que me sinto ridícula em escrever aqui sobre isso, mas uma pessoa tem necessidade de falar. Quando tal não é possível, escrever. Mas isto é só um desabafo. Não sou nenhuma coitada, nenhuma vítima nem coisa que se pareça. É só um período menos bom, todos nós os temos. De qualquer maneira, não me parece que venha gente ler isto :)

6 dizeres.:

A. S. disse...

pois eu li este texto todinho e parecia que estavas a descrever o meu último ano de estudos (que felizmente já terminou agora em Maio). não será exactamente a mesma coisa, uma vez que eu fui para Madrid um ano tirar mestrado, mas senti-me tão horrivelmente sozinha que ler isso que disseste de comer sozinha e sair para passear só para não estar em casa parecia saído dos meus próprios pensamentos.

eu confesso que não sou uma pessoa muuuito sociável, sou introvertida até mais não e preciso dos meus momentos sozinha. mas quando estar sozinha deixa de ser um gosto, um momento apreciado, para ser uma obrigação porque não tens ninguém com quem interagir, nem para ir comer um gelado ou ir jantar, torna-se um sentimento detestável.

e no meu caso, eu tive anos na universidade muito bons. com os seus sobressaltos e problemas e crises, mas muito bons, e de repente viver um ano de maneira tão oposta ao que sempre vivi custou um bocado.

desculpa o testamento, mas bolas, o teu texto tocou-me :c

Danny disse...

Eu é que tenho que agradecer pelo comentário, foi bom receber algum feedback, de alguém que compreende um bocadinho :)

J* disse...

Isso significa que das duas uma: ou estás na cidade errada, ou o pessoal da tua faculdade não se encaixa contigo.

A mim aconteceu-me o mesmo quanto a amizades. O meu curso é todo uma cambada de meninos da mama (uns ricos outros mimados) dos quais se salvam 3 ou 4 pessoas. E fui procurar outras pessoas de outros cursos e adaptei-me lindamente.
Não tenho pena nenhuma de ter poucas amizades no meu curso.


(Btw, não sabia que tinhas blog. Já estás no blogroll)

Danny disse...

ambas as situações que referiste !
tenho, mas não ligo muito a ele, só de tempos a tempos é que me lembro da sua existência. Mas tenho o hábito de dar uma olhada pelos outros :)

Eli disse...

Eu passei pelo mesmo que tu este ano. Não te sintas sozinha! A diferença é que a mim me custa muito mais admitir do que a mim.

Allie. disse...

Olá :)

Voltei ao mundo do blogspot.

Pois olha, eu li tudo, e posso-te contar a minha experiência na faculdade. Passei agora para o terceiro ano, e nos dois primeiros tive muitos altos e baixos.

Logo no meu ano de caloira, fiquei como tu. Experimentei ir uns dias, mas não gostei, e não fui mais. Durante o ano reparei nas mesmas coisas, a hierarquia, os grupos...
Também não me dava muito com a maior parte dos meus colegas do secundário, e aqueles com quem me dava mais, estavam nas vidinhas deles. Tirando uma amiga com quem ainda falo, o resto, nem vê-los. Só lá para o fim do ano passado é que me juntei mais ao grupo da faculdade.
Este ano foi o contrário: começou bem, ia às festas das faculdades, iamos sair, jantar, mas lá por alturas de Março, comecei a reparar em certas pessoas, que julgam que sabem mais por serem da praxe, e tornei a afastar-me. Há um número reduzido de pessoas com quem me dou.

Também sempre ouvi que ia ser excelente, que ia adorar a praxe e olha, não gostei. Também fico muito por casa.
Também fico chateada por o resto das pessoas acharem que não sou, sei lá, alguém de interesse.

Mas agora aproveita o verão, para o ano pode mudar, temos de ver para crer.

Beijinho ***